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Shutdown Day – Desligue seu Computador Abril 29, 2008

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3 de MAIO – Não ligue ou desligue seu computador (Shutdown Day)

No dia 03 de Maio desligue seu computador. É uma iniciativa para aproveitar o dia fora das máquinas. Vale dizer que não vale ligar sem internet, é pra desligar MESMO!
O mais interessante são os flash mobs, eventos que são marcados e sincronizados ao redor do mundo com um único ponto de partida. O shutdown day vai contar com várias mobilizações, entre no site, se cadastre e participe!
1 passo: registre-se no site
2 passo: veja se existe no mapa de mobilizações algum evento perto de onde vc está, se não tiver vc pode criar um.
3 passo: vista alguma coisa vermelha (bonés, chapéus, camiseta, calças…roupa de baixo NÃO Conta)
4 passo: sincronize seus relógios.
5 passo: ao meio dia exatamente comece a tirar fotos de todos que estão por perto de vermelho por sessenta segundos.
6 passo: decida o que fazer nas outras 23h e 59 minutos do dia.

Entre no site www.shutdownday.org e marque mais um ponto para a vida fora dos computadores.

Pop Ups Abril 29, 2008

Posted by Andreza in Blogroll, cinema, internet, música.
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Inaugurando a seção Pop Up, com notas rápidas e comentários absolutamente desnecessários:

1 – O Metallica voltou atrás na fogueira contra napter e P2P e decidiu disponibilizar suas músicas na internet seguindo “radiohead” e “NIN”.

 

Cuspiu pra cima caiu na testa né amigo? E ainda criaram um site pros fãs acompanharem a criação do novo álbum. Eles ainda tem fãs? Enfim, o site é www.missionmetallica.com

2 – O CSS (Cansei de Ser Sexy) lança primeiro single do segundo álbum na net. www.csshurts.com . Na contramão do que fizeram pra se auto-promoverem. É, é só começar a ganhar dinheiro para apertar o botão do “foda-se e comprem minhas músicas”.

3 – Coldplay também lança musiquinha do álbum Viva la Vida or Death and All His Friends no site da banda: para baixar  Violent Hill entre no www.coldplay.com .

4 – “um grupo de mulheres é abduzido nas colinas rurais da Virgínia. Com policiais desesperados por qualquer dica, um padre motivado por visões coloca a cidade numa caçada que culmina na descoberta de um bizarro experimento secreto. Seria um caso típico para os Arquivos X. Mas o FBI fechou o departamento que investigava tais casos paranormais anos atrás. Assim, os melhores profissionais para o trabalho são os ex-agentes Fox Mulder e Dra. Dana Scully, que não têm qualquer desejo de revisitar seus passados.”

Parece piada né não? Mas não é, é o novo enredo do X-files 2. Eu realmente acho que não deviam trazer de volta certos mortos que foram sucesso anos atrás. Mesmo que eu ame de paixão a série, provavelmente vou me decepcionar…E sim, eu ainda acordo domingo às 7 da manhã pra ver Arquivo X no FX.

 

A serpente Abril 28, 2008

Posted by Andreza in literatura.
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Sobre o triste e frio cinza
de pele suja, maltrapilha
arqueia veias, romances trágicos
ocupa o céu da rua vista

Bombeia sangue, nutre carros
nutre vida da cidade caos
ali do lado é sombra certa
morre aos montes e ao acaso

Em pilastras de concreto
surgem cores de fino traço
surgem formas de livre arbítrio
o sono surge do vão descaso

Serpente cega, serpente fria
da minha janela, tu és minha
do lado de fora tu és deles
tu és nada, alegoria.

Free Beer Abril 28, 2008

Posted by Andreza in Blogroll, creative commons.
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A Free Beer é desenvolvida colaborativamente ao redor do mundo. A receita está em Creative Commons e qualquer um pode se arriscar a mestre cervejeiro, inclusive detalhando novas versões de acordo com  gosto particular. Eu experimentei essa versão, e mesmo não sendo a melhor degustadora de cerveja do mundo eu achei um tanto amarga demais. Enfim…vale mais pelo conceito do que pelo sabor! (e ao contrário do que muitos acham, não, eu não produzi a cerveja, eu só bebi)
¬¬´

 

FREE BEER versão 3.4 (Codename: ‘Germania’)
Brewer: Arnaldo RIbero, Sao Paulo, Brasil, November 2007.
(CERVEJA ALE, 100% MALTE DE CEVADA, EXTRATO ORIGINAL 11,5ºP, AMARGOR TOTAL 12 IBU, ÁLCOOL 3,8% V/V, VOLUME FINAL DE 19 L)

Ingredientes:
Água (11,7 L)
Malte
Pilsen (2,0 Kg)
Pale Ale (0,6 Kg)
Caramelo (230 g)
Carafa (100 g)
Lúpulo
Variedade Galena (22,5 g em pellets de 10,5% alfa-ácidos)
Variedade Perle (10,0 g em pellets de 4.4% alfa-ácidos)
Levedura
Ale (alta fermentação, SAFALE SO 4)

Passo a passo:
Moer os maltes (2,930 Kg).
Misturar os maltes moídos em 11,7 L de água a 66ºC (proporção – 1 Kg malte : 4 L água).
Manter mosto a 66ºC por 60 minutos.
Elevar temperatura para 72ºC.
Manter mosto a 72ºC por 5 minutos.
Elevar temperatura para 78ºC.
Manter mosto a 78ºC por 10 minutos.
Iniciar filtração coletando aproximadamente 9 L de mosto.
Lavar o bagaço com 11 L de água a 78ºC, coletando no total 20 L de mosto.
Ferver mosto filtrado por 75 minutos.
Adicionar 12,5 g de lúpulo Galena 1 minuto após início da fervura, 10,0 g de lúpulo Galena 30 minutos após início da fervura e 10,0 g de lúpulo Perle 1 minuto antes do término da fervura.
Resfriar o mosto a 19ºC e transferir para fermentador limpo e esterilizado. Aerar o mosto frio, dissolvendo o máximo de oxigênio possível.
Dosar levedura (proporção – 5 a 8 g levedura : 10 L mosto frio).
Fermentar a 20ºC até processo de fermentação completo (aproximadamente 4 a 5 dias).
Cuidar para não mais aerar a cerveja em processo de fermentação e maturação.
Resfriar para 8 a 10ºC e manter esta temperatura de maturação durante 10 a 15 dias.
Resfriar para 0 a 2ºC nos últimos 2 dias de maturação para garantir o máximo de sedimentação e remoção de leveduras possível.
Acondicionar em garrafas limpas e esterilizadas e manter a temperatura entre 2 e 4ºC para consumo em, no máximo, 20 dias.
Saúde!

 

[link= http://www.freebeer.org/blog/]

Mobilidade Urbana em Debate Abril 25, 2008

Posted by Andreza in Blogroll.
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29 de abril de 2008, terça-feira, das 19h00 às 21h00.
Para conhecer e discutir as diversas propostas existentes sobre MOBILIDADE URBANA, apontando caminhos e soluções para o trânsito da cidade de São Paulo.
Apresentação das propostas – Coletivo Ecologia Urbana

Com:       
Diamantino Alves Correia Pereira
Professor da USP, mestre em geografia com ênfase em Globalização e Geografia Econômica
Marcio Kogan
Arquiteto e Urbanista premiado quatro vezes pelo IAB e indicado ao World Architecture Awards

Local: Ação Educativa. Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque – São Paulo – SP.
Contatos: ecologiaurbana@yahoo.com.br  – (11) 7811-7902/ 9894-8471
Blog: http://ecourbana.wordpress.com

Uma iniciativa:
Coletivo Ecologia Urbana
Movimento Nossa São Paulo

Panis et Circenses Abril 24, 2008

Posted by Andreza in comunicação.
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Quando eu era apenas mais uma estudante de jornalismo na cinzenta curitiba, me diziam para procurar “o que era notícia”. Aprendi, meio por cima, a pesquisar o que realmente importava no turbilhão de informações, umas novas, outras bem velhas, e então selecionar pela relevância um evento ou outro. Depois vieram as segmentações, as especulações, aprendemos a fazer disso um circo, mas não tinha nome de circo, era apenas pesquisa de opinião. Então, o mercado, tão sedutor e libidinoso, nos fazia mudar o foco sem ao menos percebermos. Éramos então veteranos, prestes a fazer parte disso tudo.

Então, pouco a pouco começamos a fazer parte do jogo. A florear os caminhos alheios para vender sempre mais. Vender informação. Mercado bom, promissor, estável. Vendia-se idéias em troca do pãozinho do lanche. Era uma troca subsidiada pelas nossas frustrações. Cada vez que alguém tentava sair do esquema, afundava. Era isso ou mais nada. Inclusive dentro do estado, como outro burocrata, dando aulas sem tempo para pesquisa, sem tempo para idéias novas.

Quando acordamos para o mundo, vimos que na nossa sociedade da ignorância tudo era questão de reutilizar o velho em máscaras novas. Acho ótimo a reciclagem. Desde que não se torne praxe nem nos impeça de criar o novo. Um boom caótico e informações dia-a-dia, acelerando o batimento cardíaco, impossibilitando novas sinapses. Aí temos o circo novamente.

A pequena menina que morreu ao cair do prédio, alguns afirmam que foram os pais, a dengue e a insuficiência administrativa da cidade do Rio, o terremoto…Eu já passei por enchente, furacão, e agora terremoto, falta só passar pelos vulcões. Enfim, nada de novo na mídia. Assaltos, assassinatos, interpéries, corrupção. A boa índole vira especial, nota pra quem devolveu algum dinheiro achado pro verdadeiro dono, mesmo que o dono seja outro traficante que mudou de rosto. E o que de novo tem tudo isso? O mercado não nos faz criar idéias novas.

É um ciclo vicioso demais pra prestar atenção no resto. Mas o que seria o resto? O padre que afundou no mar quando resolveu brincar de pequeno príncipe e voar com balões? Ou o triste jeremias, que virou ícone pop nas malhas da internet? Tapa na pantera, quero algo novo!! Dai-me algo novo! Press enter and start it again. (Aperte o Enter e comece de novo).

Super algum-combo-com-nome-bizarro-of-doom. Fases de terra, água, ar e fogo. Recomeça o jogo. Em alguns dias outro super escândalo em brasília fará desaparecer a menina Isabella. Ou mais um super recorde de trânsito em são paulo. Um cachorro que salvou a vida do dono, meu deus! E esse cachorro era um pit bull! Aumento do preço do pão por causa da maldita argentina. Putz, que droga, precisamos cobrar mais pelas informações. Mas fora essas velhas notícias não tem mais nada. Mentira, procura que em algum lugar tem a velha informação de assalto, bala perdida, corrupção! Isso mesmo, fale de corrupção que as pessoas sempre acham que é novidade, por mais antigo que isso seja. Que tal Cuba? Não, Cuba já deixou de ser notícia nos anos 90, e agora depois que Fidel se foi, não tem mais glamour. Estamos sim, fadados ao ciclo circo das informações velhas, velho conhecimento de causa. O pouco novo são novas teorias da conspiração.

Colômbia, Iraque, Afeganistão, China, Disneylândia…Disneylândia?  Isso mesmo. Procura mais, cadê o google? Te contei que minha amiga tá saindo com um cirurgião plástico? Ele ainda não ligou, mas estamos torcendo por ela. Essa informação custa R$ 3,50. É o valor de 10 pães franceses ali no supermercado. Tá caro! É culpa da Argentina. É sempre culpa da Argentina.

 

Balões recheados de poesia pra enfeitar o cinza céu Abril 22, 2008

Posted by Andreza in literatura.
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A COOPERIFA VAI ENCHER O CÉU DE SÃO PAULO DE POESIA !!!
2º Poesia no Ar
Dia 30 abril 21h

 

O Sarau da Cooperifa realiza pelo segundo ano consecutivo o Poesia no ar e vai encher o céu de São Paulo de poesia.
Nesta noite mágica da periferia paulistana o sarau vai acontecer normalmente até às 22h30, depois todas as poesias lidas, mais as mensagens e poemas dos convidados, serão colocadas em balões de gás (500 balões) e enviados via áerea para toda a cidade.
Só não vê quem não quer, onde todos querem violência, nós poesia.
Quem não puder comparecer no Sarau da Cooperifa neste dia, não se preocupe, se tiver sorte vai receber nossa poesia em casa, sem alarde, e abençoada pelo sereno da madrugada.

*Atenção: no dia 1º, antes de ir para o trabalho ou para a escola dê uma olhadinha no quintal, quem sabe…

É tudo nosso!
Sérgio Vaz
Cooperifa

Açúcar ou adoçante? Abril 22, 2008

Posted by Andreza in literatura, prosa.
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Ela mexia os dedos incessantemente. Quase ao ponto de delírio sumbisso às vontades do inconsciente. Estava exausta. Chegou de viagem, jogou as malas em cima do sofá, tomou um bom banho quente e estava agora mexendo os dedos. Esperando o tempo dar uma resposta ao que ela não sabe explicar.

O dedo indicador desenhava no dedão uma imagem invisível de uma carinha feliz. Era uma forma involuntária de pedir por alegria. Ficava assim, com os dedos em movimento no ar frio e úmido da noite. Ouvia uma música de amor falido. Pensava em como era sua vida sem amor. Sem amor de verdade. Às vezes seu amor se misturava com tantos outros sentimentos que era difícil saber qual era o verdadeiro. Amava alguém de fato, ou amava o fato de poder amar alguém?

Pensava nele com carinho. A amizade de início se tornou físico e real. Depois vieram suas dúvidas, anseios, e logo começaram as mágoas. É incrível como algumas pessoas escondem suas dores em um lugar tão escondido dentro do peito que nem elas conseguem achar para se livrar disso depois.

Acredito que a dúvida é o pior tipo de morte. Morte de tudo o que existe de bom ou ruim. Otelo sucumbiu à dúvida. Assim como Casmurro. Ela também estava sendo corroída. Ela também estava morrendo. Duvidava não apenas da reciprocidade desse amor. Duvidava, acima de tudo, se era realmente amor o que ela sentia. Duvidava se seria a pior forma de castigo imposto à ela por sonhar demais e pedir sempre por mais alegria.

A chaleira apitou avisando a água fervente. A música começou novamente sem o menos toque no teclado de computador. Os dedos ainda se mexeram compulsivos. Duvidosos. Obsessivos. Arbitrários. O pensamento caía em cascatas dentro dos olhos marcados de vermelho pelo cloro da piscina, ou seriam pelas lágrimas que não quis demonstrar? Ela tinha recebido uma mensagem de celular no dia anterior, sem muitas declarações. Apenas uma mensagem de carinho distante. Ele queria demonstrar o apego à ela? Ou queria rir da inocência incoerente dela? Certas vezes eram felizes em dupla. Certas vezes ela o odiava mais do que tudo. Noites e noites aguardando uma decisão, um ultimato próprio, muitas vezes sem solução, sempre sem ação nenhuma no alvorecer.
 
Começou então a pior das dúvidas. Aqui, deixo registrado que a maior dúvida não é se ele a ama de verdade, mas sim, a dúvida de estar plenamente sã entre seus próprios pensamentos. Questionava de forma pura e simples se tudo isso era de verdade. Questionava se seu desejo de ser feliz a levava para longe da razão humana, bem pra perto da loucura psicótica. Imaginava se tinha mesmo colocado a chaleira no fogão. Ela teria mesmo ido viajar? A casa ainda permanecia igual a ontem. Mas foram dois dias. Foram apenas dois dias? Entrara mesmo na piscina três horas antes? Que horas eram de fato?

Se levantou rispidamente e foi em direção da cozinha. Sim, pelo menos a água era real. Alívio. Voltou a sentar na janela e recomeçou o processo de mexer os dedos. Ela pensava nele novamente. Uma carinha feliz totalmente invisível por segundo. Queria arrancar isso do peito. Jogar fora desejos e remorsos. Na noite anterior respondeu com outra mensagem, dessa vez demonstrando claramente que sentia falta dele. Não obteve outra mensagem nem ontem, nem hoje. O que antes era alegria e esperança, hoje eram mais e mais dúvidas cretinas. Pensava se o movimento dos dedos continuasse, se a impressão digital continuaria intacta. Sangraria se levasse isso a diante?

Não havia resposta. Todas as pessoas ignoravam o motivo disso tudo. Nem ele sabia que todo o mundo desmoronava dentro dela. Orgulhosa, não contou a ninguém o que a magoava de verdade. Infantil, não tinha coragem de terminar tudo. Carente, queria mais dos beijos e abraços dele. Moribunda, rezava por mais alegria. E rezou.

Quando a noite já tinha deixado de ser a sedutora donzela de véu negro, ela se virou de lado no sofá e dormiu. Um único pensamento surgiu no limiar entre o sono e o estado de alerta: Queria mesmo é desenhar com os dedos uma carinha feliz nos lábios dele. Ah, como isso seria bom!

Os ovos Abril 19, 2008

Posted by Andreza in literatura, pessoal.
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Quando eu era pequena minha mãe fazia bolos de festa, naquela época não existia essa pasta americana, então tudo era feito com glacê e modelados com bonequinhos de plástico. Lembro de ficar no balcão da cozinha esperando ela terminar de bater a cobertura. Era costume meu, também, ajuda-la colocando a medida de açúcar na xícara ou quebrando com cuidado os ovos.
De vez em quando os ovos se quebravam e estavam podres. Mamãe me ensinou a separa-los em uma xícara antes de misturar com a massa. Nunca mais perdi outro ovo por causa disso. Outras vezes os ovos estavam bons, mas quando se separa a clara da gema, principalmente para fazer claras em neve, não se pode colocar nada da gema. Vez ou outra a gema ia junto e a mistura desandava. Aprendi então a separar nas mãos, hoje em dia já consigo separar na casquinha do próprio ovo sem quebrar a parte amarela.
Uma vez, no meu aniversário, ela prometeu fazer um bolo de princesa. Eu sonhava com esse bolo desde que o vi estampado nas revistas de boleiras. Enquanto ela misturava os ingredientes secos, eu fui pegar na dispensa uma caixa cheia de ovos para que ela pudesse fazer cabelinho de anjo. Na volta, eu virei o pé e caíram mais de quarenta ovos no chão. Chorei como quem está condenado à morte. Soluçava de dor e tristeza. Minha mãe me pegou no colo e me disse que eram apenas ovos. Nada mais. Então veio a raiva. Grande mentira essa! Não eram somente ovos! Eram os cabelinhos de anjo, levemente açucarados que iriam pra cima da bonequinha de olhos azuis! Ia ser uma princesinha num bolo com glacê cor de rosa! Como a princesinha ia ficar bonita se não teria cabelo dourado? Como meu bolo ficaria bonito sem os fiozinhos reluzentes em cima? Não dava! Pela primeira vez na vida eu senti que minha mãe mentia pra mim, senti o fracasso de querer algo e tudo se quebrar na frente dos olhos.
Agarrei-me na caixa que estava no chão. Olhei longamente para os ovos. Não sobrou nenhum. Comecei a brincar com os restos no chão junto com a terra. Achei que eu mesma faria um bolo sair daquela meleca. Comovida, minha mãe me puxou de lado, me deu um beijo na testa suja e aquilo me fez parar de chorar. Mas ainda me parecia impossível ter meu bolo de princesa novamente.
Minha mãe me levou pro banheiro, disse pra eu tomar um banho e trocar de roupa, disse que fresquinha eu pensaria melhor e a tristeza passaria. Tomo banhos várias vezes por dia por causa disso. Sempre à espera da dor ser lavada com a água. Quando saí do banho, vi que ela tinha separado uma roupa de renda rosa, igual ao vestido de festa dela. Vesti sem questionar. Achei que ela queria que eu me sentisse bonita pra não lembrar dos ovos.
Fui quietinha até a cozinha, de cabeça baixa e olhos no chão. Ela estava preparando algo que não sabia o que era. Me sentei no balcão perto da porta com os pés balançando pra evitar a monotonia. Não disse uma palavra. Ela me sugeriu ir brincar lá fora. Não quis, voltei para o sofá e dormi.
Acordei sonolenta de um descanso sem sonhos. Quando cheguei à cozinha não acreditei. Não, não era o bolo de princesa. Era um carrossel! Com cavalinhos brilhantes, geléia de morango e milhares de confeitos prateados. E o carrossel ainda girava! Tosca e lentamente, mas se movia. Era perfeito! Esqueci da princesa na hora e pensava somente em ter um pedaço daquele bolo. Minhas buchechas enormes não eram suficientes para o tamanho do meu sorriso.  Não era pelo bolo perfeito. Nem era pelo sonho de ser princesa. Ali, naquele momento, eu tinha ambos. E foi por isso, por toda a tragédia daquele dia que eu aprendi que as voltas do carrossel são mais alegres que a estética estática. Foi aí que aprendi que para se ter um sonho realizado é preciso se moldar aos acontecimentos. É preciso quebrar os ovos pro mundo se mover.
 

Julgamento do Borba Gato Abril 15, 2008

Posted by Andreza in Blogroll.
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JULGAMENTO POPULAR DE BORBA GATO EM 19.04.2008

 

“Nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”
(ditado africano)

 

S.Paulo de Piratininga, 10 de abril de 2008

 

No sábado 19 de abril, Dia do Índio, uma frente de artistas e de movimentos sociais
convida a população em geral para repensar a história do nosso povo
em um evento junto à estátua do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro
(Zona Sul da cidade de São Paulo de Piratininga).

 

Ainda celebrado como herói, como os demais bandeirantes,
pesam sobre Borba Gato as seguintes acusações:

 

- promoção do trabalho escravo de negros e índios;

- estupro de mulheres negras e índias;

- assassinato e usurpação de poder da própria autoridade colonial,
 em benefício próprio;

- apropriação indébita de riquezas naturais da terra brasílica;

- participação na agressão à identidade e memória cultural dos povos nativos.

 

Dia 19, atores e ativistas encenarão o Julgamento Popular de Borba Gato,
com a participação da população presente.

 

Com isso estaremos questionando uma “sociedade civilizada” que
não apenas se estabeleceu na base do extermínio de povos e culturas
e da opressão e exploração de pessoas, mas que ainda se mantém nessa mesma base,
e revela sua própria natureza ao entronizar criminosos como heróis.

 

Questionando os nomes e os valores da “história oficial”
estaremos reconstruindo nossa própria história como povo desta terra.

 

PROGRAMAÇÃO:

9 às 11 h:    ESPAÇO PARA OFICINAS DE ADEREÇOS, PINTURA CORPORAL
                  e outras manifestações em artes visuais que não atinjam o monumento

                 PREPARAÇÃO GERAL PARA A AÇÃO PRINCIPAL

                 SARAU LIVRE: espaço para manifestações artísticas em geral

12 às 13 h:  REPRESENTAÇÃO DO JULGAMENTO PÚBLICO DO BORBA GATO

Data:          sábado 19.04.2008

Local:         monumento Borba Gato, na confluência das avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro
                 na cidade de São Paulo de Piratininga

Contato:     julgamentopopular@hotmail.com

Quem se omite consente. Participe!

Grupos e pessoas que assinam até 10.04.2008:

* arte na periferia * band’doido (samba) * cia antropofágica * epidemia * expedición donde miras
* kiwi cia de teatro  * núcleo do 184 * os mameluco  (banda) * sarau do binho
* trópis iniciativas sócio-culturais * trupe artemanha de investigação urbana 
* ativistas sócio-culturais Graça Cremon, Gil Marçal, Ralf Rickli & muitos mais