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Panis et Circenses Abril 24, 2008

Posted by Andreza in comunicação.
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Quando eu era apenas mais uma estudante de jornalismo na cinzenta curitiba, me diziam para procurar “o que era notícia”. Aprendi, meio por cima, a pesquisar o que realmente importava no turbilhão de informações, umas novas, outras bem velhas, e então selecionar pela relevância um evento ou outro. Depois vieram as segmentações, as especulações, aprendemos a fazer disso um circo, mas não tinha nome de circo, era apenas pesquisa de opinião. Então, o mercado, tão sedutor e libidinoso, nos fazia mudar o foco sem ao menos percebermos. Éramos então veteranos, prestes a fazer parte disso tudo.

Então, pouco a pouco começamos a fazer parte do jogo. A florear os caminhos alheios para vender sempre mais. Vender informação. Mercado bom, promissor, estável. Vendia-se idéias em troca do pãozinho do lanche. Era uma troca subsidiada pelas nossas frustrações. Cada vez que alguém tentava sair do esquema, afundava. Era isso ou mais nada. Inclusive dentro do estado, como outro burocrata, dando aulas sem tempo para pesquisa, sem tempo para idéias novas.

Quando acordamos para o mundo, vimos que na nossa sociedade da ignorância tudo era questão de reutilizar o velho em máscaras novas. Acho ótimo a reciclagem. Desde que não se torne praxe nem nos impeça de criar o novo. Um boom caótico e informações dia-a-dia, acelerando o batimento cardíaco, impossibilitando novas sinapses. Aí temos o circo novamente.

A pequena menina que morreu ao cair do prédio, alguns afirmam que foram os pais, a dengue e a insuficiência administrativa da cidade do Rio, o terremoto…Eu já passei por enchente, furacão, e agora terremoto, falta só passar pelos vulcões. Enfim, nada de novo na mídia. Assaltos, assassinatos, interpéries, corrupção. A boa índole vira especial, nota pra quem devolveu algum dinheiro achado pro verdadeiro dono, mesmo que o dono seja outro traficante que mudou de rosto. E o que de novo tem tudo isso? O mercado não nos faz criar idéias novas.

É um ciclo vicioso demais pra prestar atenção no resto. Mas o que seria o resto? O padre que afundou no mar quando resolveu brincar de pequeno príncipe e voar com balões? Ou o triste jeremias, que virou ícone pop nas malhas da internet? Tapa na pantera, quero algo novo!! Dai-me algo novo! Press enter and start it again. (Aperte o Enter e comece de novo).

Super algum-combo-com-nome-bizarro-of-doom. Fases de terra, água, ar e fogo. Recomeça o jogo. Em alguns dias outro super escândalo em brasília fará desaparecer a menina Isabella. Ou mais um super recorde de trânsito em são paulo. Um cachorro que salvou a vida do dono, meu deus! E esse cachorro era um pit bull! Aumento do preço do pão por causa da maldita argentina. Putz, que droga, precisamos cobrar mais pelas informações. Mas fora essas velhas notícias não tem mais nada. Mentira, procura que em algum lugar tem a velha informação de assalto, bala perdida, corrupção! Isso mesmo, fale de corrupção que as pessoas sempre acham que é novidade, por mais antigo que isso seja. Que tal Cuba? Não, Cuba já deixou de ser notícia nos anos 90, e agora depois que Fidel se foi, não tem mais glamour. Estamos sim, fadados ao ciclo circo das informações velhas, velho conhecimento de causa. O pouco novo são novas teorias da conspiração.

Colômbia, Iraque, Afeganistão, China, Disneylândia…Disneylândia?  Isso mesmo. Procura mais, cadê o google? Te contei que minha amiga tá saindo com um cirurgião plástico? Ele ainda não ligou, mas estamos torcendo por ela. Essa informação custa R$ 3,50. É o valor de 10 pães franceses ali no supermercado. Tá caro! É culpa da Argentina. É sempre culpa da Argentina.